OS ESCRIBAS

Letras que se confundem em histórias de instantes que passam a correr pelas vidas passadas e futuras, reais e imaginárias, ditas e escritas pelas mãos que imprimem em cada tecla, a vontade, o desejo, a emoção e o interminável percurso labiríntico de quem escreve por prazer.

11 junho 2008

do crescente





Um instante vertical. Ocaso.

Os dias enredaram-se num engenho perpétuo
ao ritmo do movimento que ondula
as vestes claras dos homens da Núbia.

Há a falta de transição, o deserto absoluto rondando as águas e a barca, o sentido da descida, ao contrário. Já sabíamos.

E voltam as garças que agitam asas que são panos de velas triangulares.
Os corpos nas margens oscilam os braços, flutuam, com um passo duro, estruturando as vestes longas.

Este branco instaurou, fosse das roupas ou dos barcos, talvez das asas, um mesmo tempo “ralenti”,
pontuado por um suspiro mínimo.

Como em Abu Simbel, com a deslocação, perdemos os exactos raios do sol nascente. Ficámos aquém da barca e não mais teremos sossego!
Dália Dias

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